Arquivo | março 2008

Se Jesus não tivesse vindo

tumblr_mfa5fdZYTM1rk1fyeo1_1280
Era véspera de Natal. Roberto colocou o sapato na porta do quarto e foi dormir. Ele não gostava de deitar-se logo após o jantar. Mas naquela noite estava ansioso para dormir. Queria acordar bem cedo no outro dia para ver os seus presentes. Todas as noites, sua mãe lia um trecho da Bíblia para ele. Naquela noite, ela leu algumas palavras que Jesus dissera aos seus amigos. Uma frase tinha ficado na mente de Roberto: “Se eu não tivesse vindo…”
Não fazia muito tempo que dormia, quando Roberto ouviu uma voz áspera e impaciente dizer-lhe: “Levanta-te, já!. Está na hora de levantar.”
Roberto levantou-se pensando que já era de manhã. Queria ver logo os presentes que papai Noel trouxera. Vestiu-se apressado. Logo notou que seu sapato não estava no lugar onde deixara. Então, desceu a escada. Embaixo, tudo estava silencioso. Não havia ninguém lá para dizer-lhe “Feliz Natal”. A avórve, os sininhos e as grinaldas de Natal tinham desaparecido. Ele foi olhar a rua. A fábrica, perto de sua casa, devia estar trabalhando, pois ouvia o barulho das máquinas. Correu até a porta da fábrica e deu uma olhadela para dentro.Viu logo o chefe sentado à sua mesa, com uma cara tão carrancuda!
– Por que a fábrica está trabalhando no dia de Natal? – perguntou Roberto.
– Natal? – repondeu o chefe àsperamente – Que você quer dizer com isso? Que é Natal? Nunca ouvi essa palavra.
– Natal quer dizer o aniversário de Jesus.
– Quem é Jesus? Que maluquice é esta? Não atrapalhe o nosso trabalho, menino. É melhor que você vá embora.
Roberto, espantado, foi correndo a outra rua, para olhar o comércio. Todas as casas de négocio estavam abertas. Os empregados das mercearias, dos bancos, das padarias, das lojas, estavam muito ocupados, com ar cansado e aborrecido.
O menino ia perguntando:
– Por que estão trabalhando no dia de Natal?
– Natal? Que é Natal?
– É o aniversário de Jesus – explicava Roberto. Mas todos lhe diziam com mau humor:
– Que Jesus é esse? Ora, não amole! Que tolice! Estamos muito ocupados, vá embora.
Roberto dobrou a esquina, pensando:
– Se Jesus não tivesse vindo… Vou à igreja. Vai haver lá um bonito culto de Natal.
Andou, andou… Chegando à rua da igreja, parou espantado, pois no lugar do templo, só havia um terreno vazio. “Parece que errei o caminho. Mas eu tinha certeza de que nossa igreja ficava aqui”, disse Roberto consigo mesmo. Lá, no meio terreno, havia um cartaz com dizeres. Aproximando-se mais, ele leu: “Se eu não tivesse vindo…” Então o menino se lembrou das palavras que sua mãe lera para ele. Eram as mesmas da placa. E, triste, pensou: ”Oh, já sei. Jesus não deve ter vindo… É por isso que não há Natal nem igrejas.”
Roberto pôs-se a andar para lá e para cá, desanimado. Então lembrou-se da caixa cheia de brinquedos que sua classe da Escola Dominical tinha mandado para o orfanato.I ria até lá ver a distribuição dos presentes. Mas quando Roberto chegou ao local, observou que, em vez do nome do orfanato no portão, estavam aquelas palavras: “Se eu não tivesse vindo…” Roberto passou pelo portão, mas viu que, em vez do edíficio, só havia o terreno vazio. Desorientado, Roberto continuou a andar. Na estrada encontrou um velinho que parecia muito doente. Ele lhe disse:
– O senhor está doente, não está? Vou depressa ao hospital pedir que mandem uma ambulância para buscá-lo.
Mas quando ele chegou ao lugar do hospital, não havia lá nenhum dos enormes edíficios. Aqui e ali, ele viu placas e cartazes com as palavras: “Se eu não tivesse vindo…” Aflito, Roberto dobrou outra esquina e seguiu para o abrigo de velhinhos, pensando: “Lá, no abrigo, o velhinho pode ficar em segurança”. Mas, em cima do portão, em vez do nome do abrigo, estavam as mesmas palavras: ”Se eu não tivesse vindo…” Dentro da casa havia homens de cara fechada, jogando e dizendo nomes feios.
Roberto voltou para casa apressadamente, a fim de pedir explicaçao ao pai e a mãe, sobre aqueles acontecimentos. Ao atravessar a sala de visitas, parou para procurar na Bíblia aquelas palavras que ele via agora em toda a parte: “Se eu não tivesse vindo…” Folheou a Bíblia e só encontrou o velho testamento. Depois do livro do profeta Malaquias, as páginas estavam em branco. Não havia o Novo testamento. Apenas, no pé de cada página, estavam as palavras: “Se eu não tivesse vindo…”
Roberto deu profundo suspiro e ficou pensando:
– Que mundo terrível este! Não há igrejas, nem orfanatos, nem hospitais, nem abrigos para velhinhos, nem amor no coração das pessoas. Que tristeza! Por toda parte só vejo cadeias, casas de jogo, carros de polícia, doenças e tanta coisa ruim! Tudo por isso porque Jesus não veio!
Mas, neste momento, um alto-falante começou a tocar as lindas músicas de natal. Roberto prestou atenção. Era mesmo o mas lindo hino de natal que o alto-falante, lá na torre da igreja, estava tocando: “Noite de Paz! Noite de Amor”. E ele ouviu a voz alegre de sua mãe dizendo:
– Bom dia, Roberto. Feliz Natal!
Roberto deu um pulo da cama, e muito feliz de verdade , compreendeu que tudo aquilo tinha sido sonho. Ajoelhou-se, com o coração batendo de tanta alegria, fez esta oração:
– Oh! Senhor Jesus, graças te dou porque vieste! Graças te dou pelo teu Natal!

Histórias para você
Coleção Gertrude G. Mason

Um amigo na segunda milha

Rúben era um menino Judeu que morava na Palestina, no tempo em que Jesus vivia lá, ensinando e ajudando o povo. Um dia, Rúben estava sentado perto da grande estrada que dava esquina com outras estradas. Dali, podia ver bem as pessoas que viajavam. Algumas passavam a pé, outras montadas em burros. Viu também uma grande caravana de camelos, conduzindo enormes cargas.
Rúben, sentado á beira da estrada, tudo observava e dizia consigo: “Um dia eu também vou viajar. Irei até o grande mar, mas não pretendo parar por lá; quero conhecer o mundo todo”. Naquele momento ele notou uma pessoa andando sozinha, com um saco bem grande ás costas. “É um soldado romano”, pensou Rúben, “Conheço pela roupa odeio os romanos! Eles tiram a nossa liberdade. Somos obrigados a pagar impostos ao seu governo e a obedecer às suas leis, odeio todos romanos”.
O soldado tinha chegado bem perto dele, parou, e deixou cair o saco no chão. Ficou descansando um pouco enquanto olhava as pessoas que passavam na estrada. Rúben continuou a olhar para o soldado, mas sempre com pensamento de ódio. Naquele momento, o soldado virou – se para apanhar o saco e viu Rúben sentado ali perto.
– Ei! Venha cá, menino! – chamou ele.
Rúben se assustou e teve vontade de correr, mas ninguém ousava desobedecer a um soldado romano.
Bem devagar, aproximou-se dele. O soldado apontou- lhe o saco.
– Você vai carregá-lo para mim.
Rúben sabia que não havia outro jeito, conhecia a lei romana. Um soldado romano podia obrigar qualquer homem ou menino judeu a carregar sua bagagem por uma milha na direção em que viajava. “Mas irei só uma milha”, pensou Rúben bastante zangado, enquanto apanhava o saco. O saco era pesado, mas ele era forte. Rúben tinha vontade de jogar o saco longe… Como odiava aquele soldado. Mas nada podia fazer a não ser andar atrás dele, com seus maus pensamentos. “Mas é somente por uma milha. Ele não pode obrigar-me a dar um só passo além da milha, como a lei diz. Somente uma milha… uma milha”, dizia o menino enquanto andava.
De repente, lembrou-se de outro dia quando ele, com alguns de seus amigos, andavam pela mesma estrada procurando um mestre chamado Jesus, que estava ensinando ao povo. Eles o encontraram numa colina , rodeado de uma multidão, e pararam para escutá-lo.
Mas porque estou pensando em Jesus agora? Oh, já sei. Ele tinha falado alguma coisa sobre milhas… O que foi que Ele disse sobre uma milha? Rúben continuava andando e a pensar: ” Eu me lembro agora o que Jesus disse: Se alguém mandar você ir uma milha, vá com ele duas milhas. Sim, foi isso que Jesus disse. Rúben não tinha prestado muita atenção aos ensinamentos de Jesus naquele dia, mas agora se lembrava de outras coisas que Ele ensinou. “Amai os vossos inimigos… fazei bem aos que vos odeiam… se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele duas”. Rúben estava pensando tanto que nem notou que o soldado tinha parado.
– Você já andou uma milha. Dê-me o saco. – disse o soldado.
– Não, vou mais adiante. Nem parece que andei tanto. O saco nem parece que está pesado. Respondeu Rúben, sem mesmo compreender porque falava assim.
O soldado olhou para Rúben, e pela primeira vez Rúben viu o rosto dele. Era bastante jovem e parecia muito cansado.
– O senhor já viajou muito? – perguntou o menino.
– Muitas e muitas milhas. – foi a resposta.
– E ainda tem que viajar muito?
– Vou a Roma. – respondeu o soldado.
-Tão longe! – disse Rúben – Então deixe-me levar o saco mais outra milha.
– Muito obrigado ! Você é muito bondoso. – respondeu o soldado.
Os dois continuaram a caminhar, agora juntos, conversando. Rúben tinha a imprensão de que conhecia o soldado há muito tempo, e falava com ele sobre sua familia e sua casa e o soldado contava histórias de viajens. O tempo passou muito depressa. Finalmente o soldado perguntou:
– Diga-me uma coisa. Por que você se ofereceu para levar o meu saco mais outra milha?
Rúben hesitou.
-Eu nem sei bem. Deve ter sido por causa de alguma coisa que Jesus falou sobre milha.
Então contou ao soldado o que tinha acontecido.
– Coisa estranha, disse o soldado pensativo. “Amai os vossos inimigos”! Este é um ensinamento duro. Eu gostaria de conhecer este Jesus.
Tinham chegado ao alto da colina e Rúben olhou para trás, para o caminho por onde voltaria a casa.
-Devo voltar agora. – disse.
O soldado tomou o saco, colocou-o nas costas, e apertou a mão do menino, e dizendo:
– Adeus, amigo.
– Adeus… amigo. – respondeu Rúben com um sorriso.
Enquanto andava de volta para casa, as palavras de Jesus continuavam na mente de Rúben: “Se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele duas”.
“E isso dá resultado”! Pensou Rúben. “Andei uma milha acompanhando um inimigo… Andei a segunda milha e encotrei um amigo”.
Histórias para você
Coleçao Gertrude S. Mason

Luz que brilha

Luz_de_Parede
O dia estava muito frio e úmido. O sol estava atrás de nuvens escuras e o vento forte levava a chuva fria e fininha constantemente conta a janela. Rute estava com seu narizinho achatado conta a janela olhando para a chuva que caía lá fora. “Que dia mais chato”, pensava ela. Ninguém podia brincar com ela, estava ali tão sozinha… Papai estava trabalhando no escritório, mamãe estava com dor de cabeça, e o nenê, sua pequena irmãzinha, já estava chorando há um bom tempo.
Rute estava pensando se pelo menos a vovó estivesse ali, então tudo seria melhor. Então lembrou do que vovó tinha lhe dito uma vez: “Se a gente ler de manhã, bem cedo, um trecho da Bíblia e depois tentar viver o dia todo de acordo com aquilo que a gente leu, nunca se tem tempo para se sentir sozinha ou triste, e além do mais não se tem o problema de não ter o que fazer.” Pensando nisso, Rute foi buscar o seu Novo Testamento. Tinha tempo de sobra para estudar o seu versículo para a escola dominical. Depois de algum tempo ela encontrou o evangelho de Mateus e leu ali no capítulo 5: “Vós sóis a luz do mundo; não se pode esconder a cidade edificada sobre o monte, nem se acende uma lâmpada para colocá-la na bacia, mas no velador, para alumiar a todos os que estão na casa. Assim, brilhe também a vossa luz diante dos homens…”.
Rute ficou pensando… O dia está tão triste e cinzento. Será que não deveria trazer um pouco de luz a todos os que se encontram em casa? O nenê continuava chorando. Rute foi até o quartinho dele, levantou cuidadosamente a irmãzinha do seu berço, tomou-a nos braços e a carregou por um tempo para que ela pudesse arrotar. Quando depois ela a pôs de volta no bercinho, logo começou a dormir sossegadinha. Logo depois, Rute foi até o quarto da mamãe. Ela estava deitada com muita dor de cabeça. Quando Rute entrou, mamãe disse: “Filhinha, foi tão bom que você acalmou o nenê. Eu não consigo nem levantar a minha cabeça, não estou me sentindo nada bem”.
Rute ficou muito contente com o elogio. Correu então até o banheiro e voltou com um pano úmido. Colocou-o sobre a testa da mamãe. Depois puxou as cortinhas para que ficasse escuro no quarto e saiu em silêncio. Mamãe sorriu para ela: “Minha filha querida! Obrigado!” Aí, Rute se lembrou do quartinho de brinquedos que estava completamente desarrumado com brinquedos por todos os cantos. Foi para lá e logo, logo, cada coisa estava em seu lugar. Tudo arrumadinho! Depois ela foi para a cozinha. A esta altura já era quase 5 horas e a qualquer momento papai deveria chegar do trabalho. “Ele deve ficar contente de ver que eu pus a mesa para o jantar também”. pensou Rutinha. Mal estava pronta, chegou papai. Quando ele viu tudo arrumadinho e percebeu que Rute tinha feito tudo sozinha, disse: “Meu pequeno raio de sol. Você trabalhou mesmo, hem? Muito bem! Assim que se faz”.
E então, quando a mamãe se sentiu um pouco melhor, e pode levantar, o nenê estava descansado e contente. O papai pegou o nenê no colo e ficou ali brincando com ele. Todos estavam contentes e tudo estava tão diferente do que há algumas horas atrás. Mesmo que o céu continuasse cinzento e a chuva e o vento continuavam, no lar de Rute brilhava o sol do amor, da paz e da vontade de uma menina que fez que o Senhor Jesus disse: “Vós sois a luz do mundo… Assim brilhe a vossa luz, para que vendo as vossas obras, glorifiquem a vosso Pai que está no céu.”

Extraído da Revista Evangélica “Der beste Freund”