Arquivo | março 2009

Tico e Teco

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Na fazenda do Sr. João, tinha um lago muito grande e bonito. Mas dona Dedé, uma patinha que vivia ali, se sentia muito infeliz apesar de toda aquela beleza. Ela não encontrava nenhum amiguinho para brincar com ela. É verdade que na fazenda viviam outros tipos de animais que falavam outras línguas e passavam conversando horas e horas. Mas a coitadinha da dona Dedé vivia tão sozinha e não encontrava ninguém para conversar com ela. Ninguém a compreendia, mas ela não perdia a esperança de encontrar alguém. Logo de manhãzinha ia para o lago. Upa! Colocava uma patinha na água para ver se estava quente. Upa! Colocava a outra.
– Quém! Quém! Quém! Quém!
E ninguém respondia. Vendo um sapo sentado numa pedra, cumprimentou toda sorridente.
– Quém! Quém! Quém! Bom dia seu sapo. O sr. acha que vai chover?
– Hum! Hum! Hum! Hum!
“Ai! Que vida sem graça era aquela.” Pensou Dedé. E era mesmo.
Na mesma estrada, mais abaixo, morava o sr. Antônio, dono de outro fazenda. Naquele dia, por engano, colocou dois ovos de pata embaixo da galinha Cocota. Dona Cocota, que era conhecida pela redondeza como uma mãezinha muito boa e carinhosa, logo se sentou sobre os ovos. E ali ficou esperando pacientemente que seus filhinhos nascessem. Até um dia…
Ah! Ali estavam seus filhotes! Todos tão bonitinhos, redondinhos, amarelinhos, iguaizinhos. Não, não, não. Esperem um pouco. Dois são diferentes. Têm bicos chatos e suas patinhas são emendadas, parecendo um leque.
– Que será isso? – pensou dona Cocota. E resolveu verificar.
– Có, có, có, có, có.
E os pintinhos responderam:
– Piu, piu, piu, piu.
Mas os patinhos disseram:
– Quém, quém, quém.
– Cocoró! Não, não, não, não façam assim. Fale assim comigo: Cocoró!
E eles respondiam:
– Quém, quém, quém.
Bem, bem. Dona Cocota viu que nada podia fazer. E resolveu chamar um Tico e o outro Teco. E começou a criá-los como se fossem seus filhotes de verdade. Pobre dona Cocota! Ela fazia tudo para ver seus filhos contentes. Mas Tico e Teco quanto mais cresciam, mais se sentiam infelizes e tristes. E dona Cocota sempre correndo de um lado para o outro. Procurando comidinha especial para eles. Pegava minhocas, bichinhos e chamava seus filhinhos:
– Có, có, có, có, venham comer! Venham tomar vitamina C!
E todos vinham correndo.
Sim, sim. Dona Cocota era mesmo uma mãezinha cuidadosa e ninguém podia dizer nada contra ela. Mas ouçam só o que aconteceu naquela noite de chuva… O céu começou a escurecer. Arranjando um temporal! Relâmpago, trovões… E dona Cocota começou a chamar seus filhinhos:
– Có, có, có.
E todos vieram correndo bem depressa, esconderam-se debaixo das asas da mamãe. Mas onde está Tico e Teco? Ah! Lá ficaram eles tomando toda aquela chuva. Pisavam nas poças de água e como se divertiam! E naquela noite, todos estavam acomodados para dormir. Tico e Teco começaram a conversar:
– Quém, quém! Tico, você está dormindo?
– Não, eu também não consigo dormir.
– Sabe Tico, eu tenho um negócio aqui dentro de mim que eu não sei o que é. Você sabe?
– Eu não sei. Você sente também?
– Como se fosse uma fome. Eu estou desconfiado de que nós não nascemos para essa vida.
– Acho que a gente nasceu para outra coisa que a gente nem experimentou.
– Pis, pis, pis, pis. Có, có, có.
Dona Cocota chamou a atenção deles e mandou ficarem quietinhos para descansar. E com carinho começou a cantar:
– Có, có, có, có, có, có, có, có, có, có…
O luar encheu a casinha deles, e em breve até dona Cocota já estava dormindo. Na manhã seguinte, seu Antônio foi conversar com seu João.
– Bom dia, sr. João! O sr. quer dois patinhos?
– Uai, sr. Antônio! O sr. está vendendo?
– Eu tenho lá em casa dois e como eles não têm água para brincar, pensei no senhor com esse lago tão bonito… Talvez o sr. quisesse os patinhos para enfeitar.
E assim Tico e Teco mudaram para a fazenda do sr. João. Vocês se lembram quem vive naquela fazenda? Isso mesmo! Dona Dedé, a pata que se sentia tão sozinha. Naquela manhã, ela saiu como de costume e foi para o lago tomar banho. E nisto ela ouviu:
– Quém, quém, quém.
Ela apurou os ouvidos e ouviu novamente:
– Quém, quém, quém.
Aquela era sua língua! Olhou de um lado, olhou de outro, nadou para lá, nadou para cá e viu um sapinho sentado sobre a pedra.
– Quém, quém! Você me chamou? Você falou comigo?
Pluft! O sapinho mergulhou sem mesmo responder. Mas aí ela ouviu de novo.
– Quém, quém, quém.
Nadou outra vez de um lado para o outro, esticou o pescoço. Afinal ela viu Tico e Teco, sentadinhos à beira do lago. Ela saiu nadando o mais depressa que podia, gritando:
– Quém, quém, quém! Venham meninos, venham! A água está uma delícia, uma delícia!
Mas eles colocaram uma patinha na água. Tóin! Tiraram depressa, puseram outra patinha. Tóin! Tiraram outra vez. Eles tinham medo.
– Quém, quém, quém! Vamos, vamos, não tenham medo, a água é sua amiga! Entrem com confiança, vocês têm que dar o primeiro passo.
E assim eles fizeram. Colocaram uma pata, colocaram outra pata e foram saindo, saindo e num instante estavam nadando. Deram uma volta no lago, enquanto Dedé nadava ao lado deles, dizendo:
– Quém, quém, quém! Vocês agora são meus filhinhos!
– Quém, quém, quém! Que bom! Que bom! Descobrimos! Foi para isso que nós nascemos, por isso nossas patinhas são assim feito leque. Que gostoso!…
Eles ficaram tão felizes! Porque afinal eles descobriram sua verdadeira natureza. E que Deus não errou ao fazer suas patinhas daquele jeito e aquele gosto especial pela água.
Você sabia que Deus fez você para Ele? E no seu coraçãozinho colocou uma fome muito grande que só vai terminar quando você for até Ele? Deus Pai através de Jesus Cristo. Mas você tem que dar o primeiro passo, aceitando Jesus como seu Salvador. E depois você deve fazer como os patinhos fizeram no lago. Você deve se entregar a Jesus sem medo, com confiança total.

Fonte: Tia Ester